o grande ditador

Esses dias vi o filme “O Grande Ditador”, do Charles Chaplin. É uma sátira a Adolf Hitler e à Alemanha Nazista do final da década de 30.

É um filme impressionante, em vários aspectos. Um deles é que foi lançado em 1940, ou seja: muitos anos antes do final da 2ª Guerra Mundial. Nessa época, os EUA (onde o filme foi produzido) ainda estavam oficialmente em paz com a Alemanha, e muitos insistiram que Chaplin desistisse do projeto. Inclusive diretores judeus de Hollywood, que temiam represália do governo aos judeus que viviam na Alemanha na época.

Outro aspecto impressionante é que o filme retrata de forma muito franca o tratamento discriminatório e violento dado aos judeus pelos nazistas, e é ao mesmo tempo uma comédia com “gags” e piadas misturadas a cenas revoltantes de autoritarismo. Eu particularmente achei o filme bastante esquisito por isso e não gostei muito, por achar que tratava de um tema muito pesado de forma leviana. De fato, Charles Chaplin depois disse que se soubesse na época de toda a extensão do horror causado pelos nazistas aos judeus, não teria feito o filme.

Isso é desculpável, pois na época os aliados não tinham noção do que os judeus estavam começando a passar nas mãos dos nazistas. Os guetos judeus estavam apenas começando a ser formados, assim como os campos de concentração (Auschwitz foi fundado em 1940). Os aliados só começariam a ter notícias do que ocorria dentro dos campos de concentração e dos campos de extermínio (sim, são coisas diferentes) a partir de 1942.

Por fim, impressiona também o fato de Charles Chaplin ter usado seu próprio dinheiro para fazer essa produção de alto risco (temia-se que o filme seria boicotado e censurado antes mesmo do lançamento), e fez isso por ideologia, para lutar com as armas que tinha (sua fama, e o humor) contra alguém que precisava ser combatido.


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