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	<title>Comments on: realismo vs idealismo</title>
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		<title>By: Geraldo Witeze Jr</title>
		<link>http://blog.bauermann.eng.br/2009/07/31/realismo-vs-idealismo/#comment-5757</link>
		<dc:creator>Geraldo Witeze Jr</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 15:45:17 +0000</pubDate>
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		<description>Juca, fiquei pensando em algumas coisas sobre o seu artigo. Uma delas é a questão da desobediência civil. Você fala sobre não desobedecer as leis para tirar vantagens e menciona Gandhi e Luther King. Na minha opinião cabe um adendo: a desobediência às leis não é correta caso seja praticada com o intuito simples de tirar proveito próprio, sem que haja nenhuma contestação da própria lei nesse ato. Aceito que essa seja a imensa maioria dos casos, mas não é o total. Se uma pessoa desobedece uma lei que considera incorreta para lutar contra essa lei, ela não está moralmente errada, na minha opinião. Ao contrário, ela está acima das outras, como Gandhi e Luther King. A grande questão a esse respeito é que a desobediência civil pressupõe a disposição de aceitar a punição. Muitas pessoas que alegam estar praticando desobediência civil quando burlam as leis não têm essa disposição. Chegamos então no ponto de que uma das marcas de nossa sociedade é a ausência quase total da postura de assumir a responsabilidade pelos próprios atos, ao invés de dar desculpas, ou mesmo explicações. 
Uma outra coisa: você fala também de um mundo percebido como justo. Ora, existe uma diferença entre dizer &quot;um mundo percebido como justo&quot; e &quot;um mundo justo&quot;. A primeira afirmação coloca a percepção como fator essencial, e a ideia de justiça fica em segundo plano, submetida à percepção. Isso nos leva a um problema, pois percepções diferentes poderiam levar à noções de justiça diferentes, até mesmo conflitantes, o que leva consequentemente à impossibilidade de um mundo percebido como justo. A essência da minha crítica à sua frase é que penso que não adianta o mundo ser percebido como justo. Ele precisa SER justo. E a ideia de justiça não é compatível com a relativização dos valores. Não quero dizer que toda a moral é absoluta, mas sim que qualquer pessoa que busca um mundo mais justo deve aceitar que existe um patamar mínimo de justiça, que existem valorers que são corretos - não apenas percebidos como tal. Para haver justiça é preciso que haja alguns valores absolutos. A ideia de justiça pressupõe algo absoluto, ou seja, algo que está acima da percepção. Do contrário, cada um pode ter a sua própria ideia de justiça, o que impossibilita a realização da justiça e, consequentemente, a percepção do mundo como mais ou menos justo. Não posso criticar ninguém por coisa alguma se aceito essa ideia de justiça relativa e, portanto, também não posso buscar um mundo melhor, mais justo, porque, sendo a justiça relativa (submetida à percepção de cada um), isso seria ilógico. Só poderia buscar um mundo que EU considerasse mais justo, mas que poderia não ser justo para muitos outros. Aqui, sem nenhuma ideia de absoluto, shegamos num conflito insolúvel. Daí a necessidade lógica do absoluto para que possa haver qualquer ideia de justiça.
Espero que tenha sido claro.
De qualquer forma podemos continuar discutindo, da forma como você colocou no artigo, abertos para ouvir.
Um abraço,
Gera</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Juca, fiquei pensando em algumas coisas sobre o seu artigo. Uma delas é a questão da desobediência civil. Você fala sobre não desobedecer as leis para tirar vantagens e menciona Gandhi e Luther King. Na minha opinião cabe um adendo: a desobediência às leis não é correta caso seja praticada com o intuito simples de tirar proveito próprio, sem que haja nenhuma contestação da própria lei nesse ato. Aceito que essa seja a imensa maioria dos casos, mas não é o total. Se uma pessoa desobedece uma lei que considera incorreta para lutar contra essa lei, ela não está moralmente errada, na minha opinião. Ao contrário, ela está acima das outras, como Gandhi e Luther King. A grande questão a esse respeito é que a desobediência civil pressupõe a disposição de aceitar a punição. Muitas pessoas que alegam estar praticando desobediência civil quando burlam as leis não têm essa disposição. Chegamos então no ponto de que uma das marcas de nossa sociedade é a ausência quase total da postura de assumir a responsabilidade pelos próprios atos, ao invés de dar desculpas, ou mesmo explicações.<br />
Uma outra coisa: você fala também de um mundo percebido como justo. Ora, existe uma diferença entre dizer &#8220;um mundo percebido como justo&#8221; e &#8220;um mundo justo&#8221;. A primeira afirmação coloca a percepção como fator essencial, e a ideia de justiça fica em segundo plano, submetida à percepção. Isso nos leva a um problema, pois percepções diferentes poderiam levar à noções de justiça diferentes, até mesmo conflitantes, o que leva consequentemente à impossibilidade de um mundo percebido como justo. A essência da minha crítica à sua frase é que penso que não adianta o mundo ser percebido como justo. Ele precisa SER justo. E a ideia de justiça não é compatível com a relativização dos valores. Não quero dizer que toda a moral é absoluta, mas sim que qualquer pessoa que busca um mundo mais justo deve aceitar que existe um patamar mínimo de justiça, que existem valorers que são corretos &#8211; não apenas percebidos como tal. Para haver justiça é preciso que haja alguns valores absolutos. A ideia de justiça pressupõe algo absoluto, ou seja, algo que está acima da percepção. Do contrário, cada um pode ter a sua própria ideia de justiça, o que impossibilita a realização da justiça e, consequentemente, a percepção do mundo como mais ou menos justo. Não posso criticar ninguém por coisa alguma se aceito essa ideia de justiça relativa e, portanto, também não posso buscar um mundo melhor, mais justo, porque, sendo a justiça relativa (submetida à percepção de cada um), isso seria ilógico. Só poderia buscar um mundo que EU considerasse mais justo, mas que poderia não ser justo para muitos outros. Aqui, sem nenhuma ideia de absoluto, shegamos num conflito insolúvel. Daí a necessidade lógica do absoluto para que possa haver qualquer ideia de justiça.<br />
Espero que tenha sido claro.<br />
De qualquer forma podemos continuar discutindo, da forma como você colocou no artigo, abertos para ouvir.<br />
Um abraço,<br />
Gera</p>
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