Fuçando na gaveta, achei um poema que eu escrevi em 1999:
Sábado, fim de tarde.
Deitado na cama, olhando para o teto;
Na mesma posição em que começara o dia.
Agora, vários bocejos, um almoço e uma revista depois,
Pensava, sem saber ao certo em quê
“Alguma coisa não está certa”
Não é uma sensação nova;
Surgiu pequena, em um dia qualquer.
Teimosa, não quis desaparecer
E virou companheira de todas as horas.
De repente, o telefone toca
Anunciando ruidosamente sua presença.
Não admite ser ignorado.
A voz do outro lado anuncia:
- Reunião de amigos esta noite, no bar.
Entre os amigos, a conversa corre animada.
O assunto? Não é tão importante,
Desde que não faltem palavras
Para preencher o vazio.
Que vazio?
Retorna aquela sensação, mais intensa.
Tudo em volta parece diferente,
Talvez um pouco desbotado.
Na volta para casa, as sombras fazem escolta.
As luzes dos postes parecem ameaçadoras
E o barulho dos passos martela os pensamentos.
Sem aviso um grito escapa da garganta,
Ganha o céu e espalha sua angústia.
Impossível dizer se o eco veio de dentro ou de fora.