Archive for poesia

o mundo é um moinho

Posted in português with tags , , on Wednesday, August 12, 2009 by bauermann

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

Cartola

2007

Posted in português with tags , , , on Saturday, March 7, 2009 by bauermann

Cracóvia, 03 de junho de 2007.

Vivo no topo de uma plataforma de pedra. Não é muito espaçosa,
e não há mais ninguém aqui. Não há muita luz, somente uma eterna penumbra.
Na distância vejo outras pessoas vivendo na mesma situação, separadas por abismos.

Às vezes agito os braços e grito, tentando me comunicar, fazer amizade,
conhecer essas pessoas. Às vezes funciona, às vezes sou mal-interpretado
ou mesmo ignorado. Às vezes essas pessoas agitam os braços e gritam,
tentando se comunicar, fazer amizade, me conhecer. Às vezes funciona,
às vezes interpreto mal ou mesmo ignoro.

Fico imaginando como seria se não houvesse esse abismo nos
separando. Poderíamos realmente conhecer as pessoas, festejar, abraçar.

Mas o que se pode fazer? Não há como eliminar um abismo.

O melhor que posso fazer é tentar conhecer as pessoas a partir da margem.
Vejo que algumas pessoas conseguem fazer isso razoavelmente bem. Eu não.
Mas sempre se pode fazer tentativas.

Thiago Jung Bauermann

poema

Posted in português with tags , , on Monday, March 12, 2007 by bauermann

Fuçando na gaveta, achei um poema que eu escrevi em 1999:

Sábado, fim de tarde.
Deitado na cama, olhando para o teto;
Na mesma posição em que começara o dia.
Agora, vários bocejos, um almoço e uma revista depois,
Pensava, sem saber ao certo em quê

“Alguma coisa não está certa”
Não é uma sensação nova;
Surgiu pequena, em um dia qualquer.
Teimosa, não quis desaparecer
E virou companheira de todas as horas.

De repente, o telefone toca
Anunciando ruidosamente sua presença.
Não admite ser ignorado.
A voz do outro lado anuncia:
- Reunião de amigos esta noite, no bar.

Entre os amigos, a conversa corre animada.
O assunto? Não é tão importante,
Desde que não faltem palavras
Para preencher o vazio.
Que vazio?

Retorna aquela sensação, mais intensa.
Tudo em volta parece diferente,
Talvez um pouco desbotado.

Na volta para casa, as sombras fazem escolta.
As luzes dos postes parecem ameaçadoras
E o barulho dos passos martela os pensamentos.

Sem aviso um grito escapa da garganta,
Ganha o céu e espalha sua angústia.
Impossível dizer se o eco veio de dentro ou de fora.